Trabalho Sozinho: Como dar Conta de Tudo no Negócio?

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O post de hoje é para você que faz tudo no seu negócio: faz os posts para redes sociais, faz modelagem, faz venda. No começo é assim mesmo. Mas se você não dá conta de fazer todas as coisas que precisam ser feitas o negócio terá mais dificuldade para crescer. Esse é um dos pilares principais a ser trabalhado no início do negócio, e no meu curso Moda de Sucesso PRO nós temos até algumas aulas sobre gestão de equipes como um todo.

É normal gostar mais de algumas tarefas do que de outras dentro do negócio de moda.

Busque ajuda para validar o seu negócio

Mesmo se você está bem no início do seu negócio, ainda concebendo a ideia, você precisa da ajuda de alguém no sentido de validar ou dizer o que acha daqueles produtos que você pretende oferecer. Ainda que seja nesse estágio embrionário do negócio, sozinho você não vai conseguir, você precisa pelo menos desse feedback vindo de outras pessoas. É interessante buscar esse feedback fora do seu círculo.

Dependendo do seu público alvo, você não consegue encontrar no seu ciclo de amizades ou parentes as opiniões que você precisa. Pessoas bem próximas geralmente vão curtir, achar legal, e isso é bom no sentido de afetos, mas no mercado não funciona com a mesma regra. Então a primeira pessoa que você precisa no início do seu projeto é a pessoa que vai te ajudar a validar o seu negócio. E melhor que não seja alguém próximo.

Essa é a primeira coisa pra internalizar. É lógico que a gente vai falar com as pessoas mais próximas, mas entenda se essas pessoas pra quem você está pedindo feedback são o seu consumidor ou não. Outro ponto importante sobre a validação é que achar bonito não é validação de negócio. A prova de tudo está no dinheiro que as pessoas se dispõem a pagar, que elas tiram do próprio trabalho uma parte para comprar o seu produto. Essa é a prova validada que o seu produto tem relevância no mercado.

Entenda que o primeiro sócio que você vai ter ou a primeira pessoa de fora pra te ajudar no seu negócio vai ser alguém para te ajudar a validar esse negócio. E se não for parente ou amigos você terá esse trabalho de buscar um número razoável de pessoas que batam com as informações e os pilares do seu público alvo.

É normal gostar mais de algumas tarefas do que de outras

Os próximos passos para ir desenvolvendo isso, se você for criar uma marca, por exemplo, precisa se questionar praticamente todos os dias: o que precisa ser feito para o meu negócio acontecer? O que eu domino e consigo fazer com facilidade, destreza e até prazer? O que eu sei que precisa ser feito, mas não sou tão bom ou não gosto de fazer? Essas são as primeiras perguntas que devem ser pensadas.

Existem várias tarefas que precisam ser feitas e é comum que a gente tenha um pouco mais de apego e goste mais de algumas tarefas do que de outras. E quanto mais você tem conhecimento de como funciona o negócio, consegue enxergar etapas que você vê como difíceis, que você pode até ir fazendo por enquanto, mas não é algo que queira fazer todos os dias. Você pode até aprender para ensinar outra pessoa depois, mas já tenha em mente que o seu negócio vai crescer e que seria bom ter alguém mais qualificado nisso.

Por exemplo, eu não me dou muito bem com cozinha, e ainda bem que o meu marido cozinha e tá tudo certo. Eu entendo a importância de uma alimentação saudável, de comida feita em casa, etc, e se não tivesse o meu marido pra cozinhar eu iria dar um jeito de fazer, porque precisa ser feito. Por outro lado, eu gosto muito de trabalhar com desenvolvimento de produto, de ir nas fábricas, ver as modelagens, ver o resultado final, enfim, é algo prazeroso pra mim e que eu sei que tenho facilidade para fazer.

Ninguém é obrigado a saber fazer tudo perfeitamente

Entendendo isso não há problema nenhum. Ninguém é obrigado a saber fazer tudo perfeitamente ou conseguir fazer tudo perfeitamente. Se acontece um imprevisto e eu preciso fazer algo urgente ali, eu aprendi como faz e eu consigo “quebrar o galho”. Isso é importante quando você tem a sua própria empresa até mesmo para treinar outras pessoas.

Hoje eu tenho a minha empresa de consultoria e cursos, e tem uma série de coisas que eu sei fazer e que não faço no dia a dia, mas que por ter aprendido pra realmente entender como funcionava, hoje eu consigo liderar as pessoas que trabalham comigo pra fazer de um jeito que eu sei que vai funcionar. E é isso que eu sei que dá o diferencial na minha empresa e que vai dar na sua também.

À medida que você vai fazendo nascer o negócio, já tem o estoque, tem uma loja (física ou e-commerce), tem o Instagram, tem uma carteira de clientes, etc. Isso começa a crescer e você não vai dar conta de tudo sozinho. Quem está fazendo tudo sozinho e já cresceu um pouco sabe exatamente como é. E para o negócio ser lucrativo, não é simplesmente sobrar dinheiro para você remunerar a si mesmo e as pessoas que te ajudam, e reinvestir em mais estoque, mas também é sobre o seu tempo livre para que você consiga pensar em novas estratégias.

Assim como eu falo que faturamento é diferente de lucro, que é possível faturar sem lucrar, funciona da mesma forma com o tempo. Talvez você tenha lucro, mas não tenha tempo para absolutamente nada. Muitos têm família, filhos e outras coisas na vida que também precisam de atenção, e isso também é riqueza, ter a prosperidade do seu tempo.

A capacidade analítica é fundamental

Aí que entra essa questão de considerar quem você precisa trazer para a sua empresa. Para te ajudar tanto a desenvolver mais o seu negócio e ter os frutos que ele merece ter, como te liberar mais tempo para você ter espaço mental e ter novas ideias. Muitas vezes se você não dá um passo atrás para rever os processos, acaba entrando no piloto automático. Às vezes passam anos e você não entende pra onde foi o lucro, como o estoque ficou daquele tamanho, como tudo aconteceu. Então é ter essa consciência do que o seu negócio demanda, o que precisa ser feito no negócio, o que você faz bem e gosta de fazer.

Vou trazer aqui as principais grandes competências que a gente precisa no negócio, mas tem muito mais detalhes em cada uma. Uma delas vai ser a parte analítica, contábil, de números, etc. Porque isso é importante? A gente muitas vezes atrela o negócio de moda a algo criativo e eu me enquadro nisso, mas todo mundo que me segue sabe que só isso não paga as contas.

Não adianta sair comprando material e fazer um monte de peças sem noção de quanto a gente precisa fazer. E muitos que são da parte criativa não necessariamente têm o poder comercial no atendimento da venda. É muito importante ter o controle de tudo isso. Se a gente não tem o controle dos gastos e do lucro, o negócio vai quebrar e o sonho vai quebrar junto. Então é algo extremamente necessário em qualquer negócio.

Capacidades analíticas e criativas precisam andar juntas

Acontece que tem uma série de pessoas no mundo que têm essas habilidades numéricas, mas que não necessariamente querem ser engenheiras ou contadoras. Um dos vídeos que mais fez sucesso no meu canal no Youtube é sobre carreiras de moda, onde eu explico como todo mundo pode trabalhar com moda. Eu já trabalhei com muitos engenheiros e engenheiras, enfim, tem muita gente dentro desses cursos que ama moda, mas que acha que nunca vai poder trabalhar com moda porque não são estilistas.

E o controle matemático do negócio de moda não é uma chatice, é analisar produtos reais. Na verdade, quando a gente domina e entende como funciona isso é muito gostoso. Quando a gente vê uma planilha montada, bem organizada, que você bate o olho e já identifica as peças que estão vendendo super bem e começa a pensar ações para vendê-las ainda mais. Então ter certas habilidades não significa que você não serve para o negócio de moda, isso é bem importante.

Eu penso muito nesse lado mais exato e analítico e no outro lado mais comercial e criativo. Os dois lados precisam um do outro. Por exemplo, quem é administrador, gestor de negócios, engenheiro, alguém mais analítico, pode olhar umas planilhas e perceber que esse negócio é bom. Ter um negócio de moda dá uma lucratividade muito melhor do que vários outros negócios que existem por aí, por isso resolvem abrir uma marca. Só que falta emoção, às vezes a pessoa analítica vê o negócio de moda puramente como um número. Desenvolve um negócio que não desperta o desejo e a emoção.

A importância do lado criativo

E aí que entra o lado das pessoas que amam moda, que gostam de ajudar as pessoas a escolherem a roupa, entende o que fica bem e o que não fica, o que é tendência e tudo mais. Essa é uma paixão que vira negócio. E isso tem um valor que é o de despertar o desejo. Como eu sempre falo, ninguém precisa de mais roupa, se a gente fosse depender da necessidade não teria futuro. Mas a gente compra por desejo, porque é bonito, porque dá prazer e autoestima, é um lazer e uma diversão para as pessoas, é uma forma de comunicação. Ter essa sensibilidade por moda é um talento também.

Quem não tem esse olhar ou essa habilidade bem desenvolvida sempre vai achar que o produto é igual o do concorrente. Mas quem tem essa sensibilidade para o produto ou para criatividade, para essa parte comercial, vai entender as diferenças mesmo que sejam sutis. Essa visão que dá o diferencial. Tem várias marcas que crescem muito por ter isso muito bem feito. Mas se a parte do estoque está incorreta, pode ser tudo lindo, mas se torna insustentável com o tempo. Por isso que as duas coisas precisam estar muito interligadas.

Nesse processo dos mais criativos que tem o olhar mais para o público, tem também a parte comercial que é a venda, as redes sociais, os conteúdos que precisa postar, as fotos que precisa tirar, mensagens para se comunicar, etc. Não necessariamente a pessoa que gosta de modelagem faz isso bem, apesar de ter a habilidade desse olhar mais humano e criativo. Dentro de cada categoria macro, uma mais analítica e outra mais criativa, tem uma série de tarefas que precisam ser realizadas e que você pode ou não ter tempo ou não gostar de fazer.

Comece pensar em pessoas que podem te ajudar

Sobre as primeiras tarefas que você vai ter que delegar, primeiro você precisa identificar quais são e qual é a mais latente e que fará mais diferença no seu negócio. No geral, para quem é muito criativo e não tem controle nenhum dos estoques, eu recomendo que você procure alguém de sua confiança. Eu vou dar algumas ideias de contratação pra você identificar quais qualidades essas pessoas precisam ter e qual resultado você espera com isso.

No exemplo de quem precisa de ajuda com estoque, pense em alguém que é bom de planilha e quer trabalhar com moda, ou que tá procurando um trabalho. Lembre-se que não precisa ser CLT, 8 horas por dia, porque às vezes não tem tanta demanda assim naquela tarefa em específico quando seu negócio é pequeno. Muita gente deixa de trazer ajuda pro seu negócio pensando que é complicado, que precisa de uma equipe de RH para contratar, mas no começo não precisa ser assim.

Temos vários exemplos de parentes que dão certo nisso. É só um freela, às vezes mesmo para fazer coisas pontuais que você precisa e depois trazer alguém pra fazer manutenção. Tem coisas que se a gente pensar melhor a gente consegue pedir ajuda e tudo fica mais fácil. Às vezes o obstáculo para dar esse passo é simplesmente vergonha de procurar ajuda, mas saiba que muitas vezes a pessoa do outro lado também está procurando esse tipo de trabalho mais pontual, então procure ajuda.

Contratar estagiários pode ser uma ótima opção no início

Nessa linha de alguém mais jovem para fazer algo mais operacional, a gente tem opções como estágio e menor aprendiz. Em todo o Brasil, mesmo em cidades pequenas tem um escritório do CIEE, do IEL, que normalmente tem convênio com as escolas, escolas técnicas e faculdades. Tem essas duas frentes, uma do menor aprendiz que são os jovens do ensino médio ou técnico de até 18 anos, que funciona como um estágio. Ou o próprio estagiário que é quem está cursando o nível superior, e você paga a bolsa de estágio, vale transporte, etc.

Você vai ter certas responsabilidades, porque você não está contratando um funcionário pronto, e isso inclui ensinar o que a pessoa precisa fazer. E isso volta no que falamos no início, não sou bom em algo, mas sei fazer, se fosse pra explicar para alguém eu iria explicar o que sei, o que não faço bem, e poderia inclusive investir na capacitação dessa pessoa para que ela aprendesse, desde que eu percebesse interessa dela e talento para fazer melhor do que eu.

Como dono do negócio, mesmo que você não domine perfeitamente a execução de cada uma daquelas tarefas, você vai ser o líder no sentido de que você conhece a sua empresa, do que ela precisa, aonde você quer chegar com a sua empresa, e é nisso que você vai treinar as pessoas que trabalham com você, mesmo que você não seja expert naquela tarefa em si. E isso sempre funciona.

Menores custos e boa troca de aprendizado

Eu tive boas experiências com isso tanto na minha empresa hoje como em empresas de moda, marcas e varejo. A gente consegue desenvolver muito bem com uma boa contratação, com um bom processo seletivo pra ver se aquela pessoa está aberta a esse aprendizado. Quando a pessoa termina a faculdade ela não pode continuar como estagiária, mas você pode trabalhar com essa pessoa por 1-2 anos inteiros e já validar se é uma pessoa séria que vale a pena ficar na sua equipe.

Você pode efetivar o funcionário com CLT, depois de um bom período de experiência com um vínculo empregatício muito mais leve que é o estágio. O custo do estagiário também é bem menor do que o de um funcionário em tempo integral CLT, sendo que você tem essa troca de aprendizado que é muito rica. Às vezes você vai pagar mais caro por um profissional que já vem pronto, mas ele vem também com os conceitos e valores da outra empresa, e você terá que adaptar para o seu negócio.

Contratar um estagiário gera uma boa troca de aprendizado, e à medida que a pessoa vai evoluindo com você o seu negócio vai crescendo. Se você faz uma boa gestão da sua equipe, essa pessoa tenderá a querer continuar com você, e será um profissional mais preparado por todo esse tempo de experiência e aprendizado na sua empresa. Além de ter aquela gratidão por talvez ser o primeiro trabalho, ou mesmo por conseguir adequar as necessidades de horário.

Algumas empresas que trabalham muito com estagiários, e nós vemos muito isso em startups. Como o estagiário tem o limite de 6 horas diárias elas trabalham com troca de turno. De manhã trabalham alguns, à tarde outros, e juntando as horas é como se tivesse equipe em horário comercial.

Considere contratar assistentes virtuais

Outra opção para quem ainda não tem uma demanda grande para contratar alguém em tempo integral é o advento dos assistentes virtuais. Os assistentes virtuais são essencialmente os freelas, que geralmente são MEI e prestam determinados serviços para pessoas ou empresas. Então digamos que você tenha necessidade de alguém que te ajude com planilhas, alguém que puxe os dados das vendas da semana e organize tudo para ser analisado. Vamos considerar que isso vai demandar 4 horas diárias.

Se você conseguir fazer uma boa seleção desse assistente virtual, essa pessoa nem precisa trabalhar presencialmente, o que é muito importante no momento atual. Ela já se prontifica a prestar esse serviço de forma remota. Então esse assistente virtual tem o próprio computador, tem a microempresa individual e vai prestar serviço para você. Você terá que ensinar, mostrar como faz, dar acesso a certos sistemas do seu negócio, entender como vai ser essa logística online para que funcione, criar uma rotina de horários e prazos para entrega, etc.

Pode ser combinado um valor por hora e você paga por hora trabalhada, isso funciona muito bem. O que pode acontecer é que a sua demanda vá crescendo, você cria mais confiança nesse assistente virtual, e pode até negociar para que ele trabalhe só com você. Você aumenta a carga horária e acaba virando um funcionário se vocês quiserem. Igualmente com um estagiário, você teve um processo de entender se o trabalho está funcionando, etc.

Fazer negócio e agregar pessoas pra crescerem juntos

Quem tem marca, por exemplo, para enviar pedidos ao fornecedor precisa da ficha técnica bem montada, e talvez não curta muito esse tipo de trabalho. Dá pra contratar um estilista freelancer, alguém que está na escola técnica de moda. Qualquer pessoa que estuda design de moda ou costura técnica sabe fazer uma ficha técnica. Combina um prazo, o orçamento, quando ficar pronto recebe o trabalho e paga por ele. Você pode buscar na internet tem vários sites, o 99 freelas, workana, etc. Nesses sites você encontra profissionais de todas as áreas.

Idem pra gestão de redes sociais, agendamento de posts, fazer posts, e por aí vai. Pense em todas as tarefas que precisam ser feitas. Equipe comercial, representantes, quem tem marca e está expandindo para o atacado, pode contratar um representante freelancer, um representante que trabalha também para outras marcas. Então, o trabalho inicial é buscar, selecionar, recrutar essas pessoas. E quem tá concebendo o negócio precisa de alguém pra ajudar a validar.

Negócio a gente faz com outras pessoas, sozinho praticamente não dá. Para expandir você precisa agregar pessoas e essa é a beleza de fazer negócio. E quando o seu negócio dá certo e cresce você precisa trazer novas pessoas para te ajudarem. Isso gera emprego e desenvolve pessoas com habilidades que talvez elas não tinham.

Enfim, se você faz tudo sozinho e não dá conta, o primeiro passo é ter consciência de que você terá dificuldade de crescer seu negócio trabalhando 100% sozinho. Aceitar que é assim e que isso faz parte da jornada que você está entrando.

Se preferir, confira o conteúdo desse post em vídeo.

Um super abraço e até a próxima!

Andressa Rando Favorito